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quinta-feira, 23 de julho de 2009

Desamor

Desde quando decidi atravessar o rio que corta, fatidicamente, a desgraçada perversão de minha essência e que aprisionam o meu altruísmo, confrontei as mais diversas muralhas, monstros e lendas do fanatismo/dogmatismo que levam milhares de almas ao cativeiro. Ah, a escadaria do convencimento/alienação é algo importantíssimo. Cada degrau é sustentado de convicções, idéias e ideais, estratagemas ultrapassados que merecem o nosso saudosismo, ou não!? Preciso me reciclar, mas eu não sou tão lixo assim! Preciso me adequar, mas não sou tão formal assim! Preciso conduzir meus sonhos e desejos a uma quietação que me inquieta, ou não!? Falar, discursar de forma inflamada, urros pseudo-benevolentes propagados numa mistura química de ar, fumaça, tabaco e álcool num ambiente de semiescuridão e ignorância, surtem efeitos? Enquanto a plebe ruge colérica, a cada riff desarmônico, a cada “pegada empolgante”, a cada solução milagrosa e facilmente compreendida, eu me vejo envergonhado. Em minha volta sinto, vejo e respiro somente o desamor.

Esses são os shows de rock e os cristãos contemporâneos.

Amor, Ódio e Desprezo.

por Ricardo Gondim
Meus ódios são passageiros, os amores, claudicantes, os desprezos, perenes. Nunca tive medo de odiar. Minhas fúrias são inofensivas; no máximo, palavrões secretos. Meu maior pavor é desprezar, porque tornei-me mestre em esquecer. Sou ás em mutilar-me com amnésia. Treinei para olvidar. Sou culpado de homicídios emocionais. Frio, posso esquartejar quem quiser. Calculista, assassino com desdém.
Amo com dificuldade, mas esqueço sem esforço. Viro as costas e pronto, acabou. Apago o contorno dos olhos. Anulo os cheiros. Rasgo memórias. Lixo tatuagens. Jogo na lixeira da alma quem me feriu. Nunca tramo vingança; não há necessidade, sou hábil em diluir quem me feriu.
Não, não estou me gabando. Sei que peco contra mim mesmo quando desprezo. Acabo com a possibilidade do perdão, tranco a porta da misericórdia e me distancio do bem. Tenho que me esforçar para não deixar que a mediocridade, que tanto detesto, me apequene. Preciso da nobreza dos mansos que suplantam as dores do passado - a minha lateja por décadas. Reconheço que me aleijo quando deleto alguém. Não gosto de ser indiferente.
Desde cedo sofri. Padeci e criei casca. Para sobreviver, revesti-me com a sobrepeliz da insensibilidade. Por isso, apaixonei-me por Jesus de Nazaré. Ele venceu o ódio sem punhal. Desarmado, só com bondade, atropelou a maldade. Sem contar com nenhum exército, fez da ternura a força mais admirável do universo.
Reconheço a minha carência. Tenho muito o que aprender. Ainda hei de acolher quem joga pedra, compreender quem é torto de inveja e caminhar duas milhas com quem conspira para destruir.
Soli Deo Gloria